A Capela Sistina

O século XVI chamado pelos italianos Il Cinquecento constitui o mais famoso período da arte italiana – a Renascença – sobretudo por ser o período em que viveram os maiores gênios da História da Arte: Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael, Ticiano, entre outros. Esse período, também chamado de Alta Renascença, trouxe orgulho nas cidades que viam seus artistas embelezando-as com suas obras. Para os artistas, erigir magníficos edifícios, túmulos ou dedicar-se à pintura e aos afrescos de uma famosa igreja, os perpetuariam através de suas obras.

A história da Capela Sistina começou quando Francesco Della Rovere tornou-se o Papa Sisto IV e ordenou a reforma da antiga Capela Magna, que ocorreu entre 1477 e 1480.

A Capela foi desenvolvida para servir de local para determinadas cerimônias e atos litúrgicos específicos. Isso explica seus anexos simples e oblongos. No entanto, por mais simples que possa parecer o recinto, suas proporções produzem um efeito especial dos mais peculiares. Sua vista externa, um imenso bloco que lembra um bastião é simplesmente grandiosa e a impressão é causada tanto pelas proporções quanto pela magnífica obra. Iniciada em 1473, a edificação foi concluída em 1481, quando os artistas já estavam trabalhando nos afrescos que a tornaram uma das maiores obras artísticas da humanidade.

O autor do projeto arquitetônico foi o florentino Baccio Pontelli. Um dos responsáveis pela reformulação e revitalização urbanística que o Papa Cisto IV efetuava em Roma, tendo realizado dezenas de obras públicas. O projeto teve a supervisão de Giovannino de Dolci. Suas dimensões foram inspiradas nas do Templo do Rei Salomão, em Jerusalém. Sua forma é retangular, medindo 40,93 metros de longitude, 13,41 metros de largura e 20,70 metros de altura.

Uma finíssima transenna de mármore, em que trabalhavam Nino de Fiesole, Giovanni Dalmata e Andréa Bregno, divide a Capela em duas partes desiguais. Internamente, as paredes, divididas por cornijas horizontais, apresentam três níveis:

– O primeiro nível, junto ao chão em mármore, que em alguns setores apresentam o característico marchetado Cosmatesco, ou seja, simula refinadas tapeçarias. No lado direito, próximo à transenna, está o coro;

– O intermediário é onde figuram os afrescos narrando os episódios da vida de Cristo e a de Moisés. A cronologia inicia-se a partir do altar, onde se encontram, antes da feitura do “Juízo Final” de Michelangelo, as primeiras cenas e um retábulo de Perugino representando A Virgem da Assunção, a quem foi dedicada a Capela.

– O nível mais alto estão as pilastras que sustentam os pendentes do teto. Acima da cornija, estão situados os lunettes, entre as quais foram alocadas as imagens dos primeiros Papas.

Os Afrescos

A importância da construção da Capela Sistina se deu também como parte da política que Sisto IV empreendeu para restabelecimento do prestígio e fortalecimento do papado. Assim ele convocou à Roma os maiores artistas da Itália. Florença era o centro de excelência até então. De lá e da Úmbria vieram os maiores nomes e esse fato deslocou para Roma a capitalidade cultural.

Vários nomes emprestaram seus dons: Perugino, Botticelli, Ghirlandaio, Roselli, Signorelli, Pinturicchio, Piero di Cosimo, Bartolomeo Della Gatia e Rafael.

Alguns anos depois, um dos maiores gênios artísticos de todos os tempos: Michelangelo Buonarroti.

Os afrescos foram inspirados em cenas do Velho e do Novo Testamento, decoram as paredes laterais assim como o teto.

Na parede esquerda, a partir do altar, estão as cenas do Velho Testamento:

– De Pinturicchio: “Moisés a caminho do Egito e a circuncisão de seus filhos”

– De Sandro Botticelli: “Cenas da vida de Moisés”

– De Cosimo Rosselli: “Passagem do Mar Vermelho”

– De Cosimo Rosselli: “Moisés no Monte Sinai e A Adoração do Bezerro de Ouro”

– De Sandro Botticelli: “A punição de Korah, Nathan e Abiram”

– De Lucas Signorelli: “A Morte de Moisés”

Na parte direita, também a partir do altar, as cenas do Novo Testamento:

– De Pinturicchio: “O Batismo de Jesus”

– De Botticelli: “A Tentação de Cristo e a Purificação do Leproso”

– De Ghirlandaio: “Vocação dos Apóstolos”

– De Rosselli: “Sermão da Montanha”

– De Perugino: “A Entrega das chaves a São Pedro”

– De Rosselli: “A Última Ceia”

Entre as janelas, seis de cada lado, figuram vinte e quatro retratos de papas, pintados por Botticelli, Ghirlandaio e Fra Diamante. Na abóbada estão os famosos afrescos de Michelangelo pintados entre 1508 e 1512. O mesmo artista realizaria entre 1535 e 1541, na parede do altar, o “Juízo Final”.

A pintura da abóbada da Capela Sistina foi encomendada pelo Papa Julio II, sobrinho de Sisto IV a Michelangelo. Este trabalho durou quatro anos.

Nessa obra, podemos ver a grandiosidade do artista e a qualidade de seu trabalho sem suas figuras, na perfeição dos escorços, na rotundidade dos contornos, tudo feito com graça, esbeltez e a boa proporção que se vê nos belos nus.

Para demonstrar a perfeição da arte e a grandeza de D’us, Michelangelo representou a divisão entre a luz e as trevas em cenas nas quais se vê sua Majestade: com os braços abertos sustenta-se por si só, mostrando amor e poder criador. Na segunda, com a mesma maestria representou D’us criando o Sol e a Lua. Em outra, D’us separa a água da terra. Em “A Criação de Adão”, Michelangelo representa D’us sustentado por um grupo de anjos nus estendendo a mão direita à Adão, uma figura com tamanha beleza, atitude e contornos que não parecem criados por um homem. Pouco abaixo desta cena, “A Criação de Eva”, na qual da costela de Adão é extraída Eva. A seguir, Adão e Eva são expulsos do Paraíso – O Pecado Original e A Expulsão do Paraíso. Não é de menor beleza, a cena do Sacrifício de Noé, assim como o Dilúvio Universal.

A parede do altar foi destinada a conservar a maior pintura na qual Michelangelo dedicou: “Juízo Final”, de 1537 a 1541. O afresco ocupa inteiramente a parede atrás do altar. Para a sua execução, duas janelas foram fechadas e algumas pinturas da época de Sisto IV, apagadas – os primeiros retratos de papas; a primeira cena da vida de Cristo, a primeira vida de Moisés, uma imagem da Virgem da Assunção, de Perugino e os afrescos das duas lunettes, onde o próprio Michelangelo havia pintado os ancestrais de Cristo.

O restauro

Algumas obras de restauros foram empreendidas no teto da Capela Sistina, com o intuito de recuperar o brilho original da época de Michelangelo.

Desde 1960, já se trabalhava nos afrescos mais antigos. O projeto mais audacioso, a cargo do restaurador Gianluigi Colalucci, iniciou-se em 1979 com a limpeza da parede do altar: o “Juízo Final”, de Michelangelo. Durante este período, a Capela esteve fechada ao público, voltando a ser aberta em 8 de abril de 1994.

A Capela Sistina está situada no Palácio Apostólico, residência oficial do Papa na Cidade do Vaticano.