Champagne Krug

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A qualidade das bebidas sujeitas a envelhecimento varia conforme o tempo em que permanecem na madeira. Nas destiladas, como no Scotch Whisky, ele é expresso pelo número de anos, no Cognac pelas apelações V.S.,V.S.O.P e X.O., na Tequila pelas expressões Añejo e Reposado e no Rum por estrelas. Nas fermentadas, para vinhos comuns, por nomes ou siglas como Grand Cru, D.O.C.G, Reserva, AOC, no vinho do Porto pelos estilos, no Madeira pelas safras e no Tokaji pelo número de puttonyos. Já nos champagnes, em que o envelhecimento é feito nas garrafas por tempos variáveis, a única indicação de qualidade superior é a menção da safra no rótulo. Com todas essas referências o consumidor pode saber previamente o que esperar das bebidas – e dos preços – simplesmente pela leitura dos rótulos.

Em nível de qualidade ainda superior à dos champagnes safrados, surgiu nas últimas décadas um estilo excepcional denominado Cuvée de Prestige. Sua principal referência é o preço muito alto. Produzido por quase todas as casas em pequenas quantidades com as melhores uvas e nas melhores safras, simboliza a última palavra em luxo. Diferentemente dos demais champagnes, o sabor é mais complexo, o envelhecimento é mais longo e necessita mais tempo antes de atingir o apogeu. Em geral essas cuvées têm indicação de safra e são disponíveis nos tipos branco e rosado.

Uma das mais prestigiadas casas em Champagne é a Krug e sua principal característica é ser a única a produzir exclusivamente esse estilo sofisticado de vinho. Fundada em 1843, foi uma das pioneiras nesses blends de luxo e estabeleceu uma excelente reputação no século 20 com o lançamento da Grande Cuvée composta de dezenas de vinhos de safras diferentes. Krug também ganhou fama por fermentar os vinhos-base em barricas de carvalho onde cada parcela é vinificada separadamente. Isso torna os vinhos mais resistentes à oxidação e, ao contrário dos que muitos pensam, a madeira não interfere no sabor.

Além da Grande Cuvée a Krug também produz o famoso e extremamente caro Blanc de Blancs a partir do minúsculo e valioso vinhedo murado Clos du Mesnil adquirido em 1971. Plantado exclusivamente com Chardonnay, além de utilizar somente essa variedade, a safra é sempre única e destacada no rótulo. Krug lançou também o Clos d´Ambonnay, um Blanc de Noirs de outro valioso e minúsculo vinhedo murado em Reims plantado unicamente com a variedade Pinot Noir. Considerado pelos críticos como o melhor disponível no mercado nessa categoria, uma garrafa da safra 1995 (RP 98) custa em média 2.600 dólares!

Em 1999 a empresa foi vendida para Louis-Vuitton-Moët-Hennesey, proprietários das duas maiores casas, a Veuve-Clicquot e Moët et Chandon. A família, porém, ainda está intimamente envolvida e ainda participa das decisões sobre os segredos do blend para produzir a Grande Cuvée que tornou Krug um dos nomes mais importantes no mundo das Cuvées de Prestige.