Anualmente, numa linda viagem entre montanhas e vales, pegamos o trem de Lugano para Zürich com a intenção de curtir os dias que antecedem o Natal. É um ritual obrigatório. La mamma, nossa mãe, é de Zürich, portanto temos uma necessidade genética, de estar lá nessa magnífica época do ano
No período do Advento (as últimas quatro semanas antes do Natal), Zürich é mágica, especial! Esta cidade é pequena se comparada às gigantes do continente americano. Ao entardecer, ela é tomada por uma sedutora luz quente, dourada, que serve de pano de fundo para salientar os inúmeros perfumes que pairam no ar: canela, vin brûlé, especiarias, cervelat (salsichões) grelhados, magebrot (pão de especiarias coberto com glacé), nideltäfeli (balas à base de manteiga e açúcar caramelizado)... e, naturalmente, muitas velas acesas nas centenas de estandes que sugerem presentes de todo tipo.
É a época em que aquela cidade da Suíça alemã, formal, séria, transforma-se num autêntico conto de fadas. Apesar do frio e da neve, todo mundo vai para as ruas. Todos passeiam, comem, bebem, se divertem. É realmente muito bonito o espírito natalino que toma conta de Zürich.
Conto de fadas à la Hänsel & Gretel
Dentre as atrações, certamente, a mais imponente é a arvore situada no monumental Hauptbahnhof (Estação Ferroviária Central, lembre-se que, nós suíços, andamos muito de trem). Ali, organizadissimamente enfileiradas, estão 160 casinhas que formam o lendário Christkindlimarkt, o Mercado do Menino Jesus, tradução do impossível idioma suíço-alemão. A árvore Swarovski, como é chamada, é um pinheiro de 15 metros de altura, ornamentado da cabeça aos pés por uma capa de cristais composta de 6.000 adereços de formatos variados, todos preciosos e brilhantes. A árvore só não brilha sozinha, porque é obrigada a dividir a gigantesca praça da estação de trem, com as roliças e coloridas figuras femininas da estatuária da escultora francesa de Niki de Saint Phalle que sobrevoam as cabeças encapuçadas dos passantes e pairam sobre as casinhas de Hänsel & Gretel.
Apesar de a altura e o tamanho das outras árvores Swarovski, erigidas nessa época do ano, não se compararem com a monumentalidade e o esplendor da nossa árvore de Zürich, essa tradição da Swarovski pode ser admirada em várias metrópoles do mundo. Como por exemplo, em Hong Kong, Pequim, Sydney e até no Rio de Janeiro, entre outras.
Swarovski: o brilho que vem da Áustria
Uma curiosidade. A ponta da lendária árvore do Rockfeller Center, em Nova York, também foi criada pela Swarovski. E falando em Swarovski aqui vai um breve curriculum para os esquecidos:
Swarovski é o nome da marca que batiza os mais célebres cristais do mundo fashion e da joalheria prêt-à-porter. O grupo inclui também empresas de alta tecnologia, produtoras, entre outras, de instrumentos óticos e maquinas de corte. Foi justamente quando seu fundador, Daniel Swarovski, inventou em 1892 a tal máquina de corte automática, que se criaram os celebérrimos cristais, na cidade de Wattens, na Áustria.
Mas, scusa, o papo está muito bom, mas precisamos correr! Começou o coral das crianças do Singing Christmas Tree, no Werdmühleplatz, outro point obrigatório, com outro lendário mercadinho... Merry Christmas! 
Fotografias de Raffaella Perucchi
Swarovski
Consulado Geral da Suíça São Paulo



