O Brandy de Jerez, um dos principais destilados europeus, pode ser obtido através de duas formas de destilação
O concorrente mais forte na disputa pelo primeiro destilado da Europa é um brandy da Andaluzia. Documentos mostram que a destilação já era praticada nessa região sul da Espanha desde o ano 900 d.C. Embora se acredite que os Mouros usavam essa técnica para a produção de remédios e perfumes, menos para aguardentes bebíveis, hoje parece claro que o brandy era na verdade feito para ser consumido. Foi somente no século 16, porém, que houve menção à produção de aqua vitae na região de Jerez. Até então era utilizado somente para fortificar vinhos locais a fim de estabilizá-los para longas viagens.
Destilação
O brandy como produto apareceu pela primeira vez no início do século 19 após melhorias nas técnicas de destilação. Embora nessa mesma época tenha sido exportado pela primeira vez, até hoje seu maior consumo ainda continua sendo na própria Espanha. O Brandy de Jerez, junto com o Cognac e o Armagnac são os únicos brandies que se destacam de maneira absoluta sobre todos os demais e cada um é destilado em alambiques exclusivos e com nomes próprios. Para o Brandy de Jerez são permitidos dois métodos: o de coluna para destilação contínua ou alambiques tradicionais de cobre conhecidos como alquitara.
As uvas para a elaboração do vinho base são a Airén e Palomino, provenientes da região de La Mancha e se caracterizam por baixa acidez. De acordo com o Conselho Regulador, é necessário destilar cerca de três litros de vinho para obter um litro de brandy. Já no processo, o clima da Andaluzia é igualmente importante por contribuir para o amaciamento e no caráter do brandy durante o envelhecimento em barricas de Jerez chamadas botas. É obrigatório que as barricas tenham sido usadas para envelhecer Jerez no mínimo por três anos, e o tipo de Jerez que ocupava as barricas afetará a cor, sabor e aroma do brandy.
Processo de envelhecimento
O sistema para envelhecer o brandy – igual ao Jerez – é chamado Solera. Trata-se de um grupo de barricas comunicantes arranjadas em camadas superpostas, normalmente quatro, contendo brandies de diferentes idades, os mais novos em cima. As três primeiras são as Criaderas. Quando o brandy vai ser engarrafado, a quantidade desejada é retirada da camada inferior, a Solera. As barricas são então abastecidas com o mesmo volume de bebida nova a partir da camada superior e assim por diante. Este método simples e dinâmico que mistura brandies novos e antigos cria um produto muito consistente, homogêneo e também muda a maneira pela qual a aguardente interage com o carvalho.
Sofisticação e qualidade
O Brandy de Jerez é disponível em três categorias: Solera – o mais novo com média de um ano de ‘criação’; Solera Reserva – média de três anos de envelhecimento, e Solera Gran Reserva, o mais sofisticado – cerca de dez anos. Sendo um produto centenário, o Brandy de Jerez goza de conceito extraordinariamente elevado pela qualidade, requinte e tradição. Nos últimos anos os produtores investiram maciçamente na informatização, nos processos de elaboração e canais de distribuição até o destino final buscando atrair novos consumidores. A primeira iniciativa foi apresentar uma visão mais moderna para a bebida, embora mantendo a dignidade da imagem do Brandy de Jerez tradicional. 



