Apesar do número escasso de lugares onde o Málaga é produzido hoje, ele permanece firme no mercado e com uma grande quantidade de apreciadores
No passado, o vinho produzido no sul da Espanha próximo da cidade de Málaga na costa do Mediterrâneo era muito apreciado. Na época Vitoriana, mesmo com o Jerez ocupando o primeiro lugar na preferência dos consumidores, nenhuma mesa do ‘café da manhã’ seria considerada completa sem um decanter contendo o Vinho da Montanha como, na época, o Málaga era conhecido. Esse costume agradava principalmente aqueles que algumas vezes preferiam uma bebida um pouco mais doce. Após o jantar ele também se rivalizava com o Porto e o Madeira como vinho para digestão ou meditação. A despeito de todo esse sucesso é difícil entender os verdadeiros motivos que explicam o desinteresse pelo Málaga nos dias de hoje.
Talvez um dos principais seja a diferença entre o Málaga e os outros vinhos fortificados da Andaluzia no que se refere a uma questão de orgulho. Quando em 1587 o militar inglês Martin Forbisher roubou 2.900 barricas de Jerez nas barbas do Rei da Espanha, a demanda por esse vinho aumentou tremendamente na Inglaterra e norte da Europa. A partir de então, empresas inglesas, irlandesas, holandesas e alemãs passaram a se estabelecer na área de Jerez. Enquanto que os condados de Huelva e Montilla compensavam suas perdas ajudando os produtores de Jerez, Málaga se defendia na esperança de continuar a ser reconhecido como o único vinho por seu direito próprio.
O retorno
O vinho ressurgiu no final do século 19, mas novamente sofreu novos golpes com a filoxera dizimando a maioria dos seus vinhedos, depois veio a Guerra Civil e em seguida a Segunda Grande Guerra. Como mais tarde o sul da Espanha se tornou o principal destino turístico do país, os resorts e hotéis de luxo passaram a ocupar os terrenos onde as uvas eram cultivadas. Além de terem restado poucas bodegas produzindo Málaga, elas ainda precisam comprar uvas com isenção especial dos vizinhos Montilla-Moriles como compensação pelos vinhedos que foram perdidos. A despeito desses infortúnios, o Málaga permanece firme no mercado e com grande número de apreciadores em todos os países.
Pedro Ximénez (PX) é a uva que predomina na produção, embora também sejam utilizadas pequenas quantidades de Moscatel, Doradilla, Airén e Vidueño. Há 16 tipos principais de Málaga, sendo os seguintes os mais comuns:
• Lagrima – muito doce, com uvas não prensadas
• Moscatel – doce e aromático utiliza somente a uva Moscatel
• Pedro Ximénex – doce, feito somente com a uva PX
• Solera – proveniente de solera datada, no mesmo estilo de Jerez
Além de muito doces são também aveludados, mas se diferenciam ligeiramente conforme a uva utilizada ou a mistura de uvas. A temperatura ideal de serviço é 20ºC. 



