Olaf van Cleef: Índia, rap, arte e joias

Carregar o sobrenome van Cleef não é pouca coisa, ser descendente direto da prestigiosa família significa fazer parte da história de um dos maiores pilares da alta joalheria mundial, a celebérrima icônica: Van Cleef & Arpels. Mas não é sobre as jóias da maison que paramentam reis e rainhas, marajás, príncipes e princesas ou top stars do mundo do cinema que iremos falar aqui. Nosso desejo é apresentar Olaf van Cleef, uma pessoa especial, de grande sensibilidade e talento, contagiante com sua elegante joie de vivre.

Sobrenome histórico

Holandês, 62 anos, nasce e vive em Paris, ama viajar para a Índia (onde passa longas temporadas há mais de 30 anos), é pintor, consultor da Maison Cartier desde 1982, ouve música rap, curte natação, se dedica a jardinagem, e… é também tudo o que citamos acima.

Metais preciosos e cristais

Sua paixão para o desenho começa em tenra idade com a segunda esposa de seu pai, Annette Norgeu. As obras de Olaf são composições de colagens nas quais utiliza metais preciosos e cristais Swarovski de várias cores. A inspiração central em seu delicado trabalho vem da Índia, especialmente da cidade de Calcutá e do pintor Ravi Varma (Rajá Ravi Varma, 1848-1906). Varma nasceu em Kilimanoor, estado de Kerala, foi um grande pintor da arte acadêmica indiana conhecido por retratar figuras mitológicas da cultura local e um dos primeiros artistas do país a conquistar prêmios e reconhecimento no Ocidente.

Deuses indianos

Olaf, empolgado, falou conosco com muito bom humor num folego só diretamente da Índia. Contou sua história e compartilhou as imagens ao vivo do incrível álbum de sua vida: as obras mais recentes. Escolhemos especialmente as que ele define como preciosas, as dos deuses indianos, as nossas preferidas. Eis o que Olaf nos disse.

Paixão pela Índia

“Gosto da Índia, é o país gerador das minhas inspirações. Gosto de seus cheiros, cores, diferenças, precariedades e de suas festas suntuosas. Minhas obras se dividem em abstratas, de inspiração exótica e preciosas (que representam deuses indianos como Ganesh, Shiva ou Krishna). Estas últimas são produzidas especificamente para clientes indianos riquíssimos que as adquirem para adornar os templos de seus palácios e mansões”.

Na contramão

“Trabalho totalmente na contramão. Em geral, as pessoas costumam fazer compras a preços bem baratos na Índia para depois comercializar na Europa ou Estados Unidos… Por isso, considero-me raridade. Sou um artista holandês que pinta, em Paris, quadros indianos nos tons pastel de Dufy e Fragonnard, para depois vendê-los na Índia! Com isso, proporciono aos indianos, um quê de ar parisiense, porém envolvendo suas histórias e representando as referências de suas vidas”.

Sacrilégio

“O ponto crucial disso tudo é conseguir – ao representar os deuses – pintar sem ‘erros’ e não cometer sacrilégios. Os ‘erros’ nos desenhos seriam a pior das coisas. Destruiriam sem piedade todo um trabalho de ótimas relações comerciais, construído ao longo de trinta anos”.

Folhas de ouro

“Uma das particularidades da Índia, por exemplo, é dos homens se adornarem em seus casamentos com grandes quantidades de joias tanto quanto as mulheres. Daí, em meus quadros, os deuses serem todos ricamente vestidos, e os príncipes e princesas, elaborados com folhas de ouro e ornados por cristais Swarovski”.

Hotéis de luxo

E aonde são vendidas suas obras, perguntamos, curiosas. Olaf: “A venda das obras acontece sempre em hotéis de luxo. A meu ver, os da Índia são os mais belos do mundo”.

Destino: Brasil

A vocação desse globetrotter já tem destino certo para o próximo desembarque. O Brasil está nos planos do artista como meta para suas pesquisas e aventuras. E, não há dúvida, de que a incrível leveza, minúcia e sensibilidade encontradas na arte de Olaf resultarão em obras especiais quando seu olhar de artista entrar em contato com o leque peculiar de inspirações brasileiras.

Fauna e flora verde e amarela

Olaf sabe bem que a exuberância da flora e da fauna do Brasil com suas religiões e mitos peculiares, suas riquezas e pobreza radicalmente diferentes das da Índia, e até o gigantismo sem fim da cidade de São Paulo, são choques preciosos para seus pequenos e meticulosamente demorados desenhos.

Penas, plumas, pétalas e orixás

Aguardem. Em breve, um pintor holandês, radicado em Paris, que ama profundamente a Índia, vive fascinado pelo Brasil e carrega o sobrenome van Cleef aproará nadando, em pleno agito do rap, numa das tantas praias da costa brasileira para retratar penas, plumas, pétalas, orixás e, quem sabe, até fará um retrato seu, que está, aqui, nos lendo.

Ciao a tutti e a prestissimo!

 

Fotografias: Olaf van Cleef

Olaf van Cleef

www.olafvancleef.org

www.olafvancleef.org/india