Patagônia: uma aventura “National Geographic”

A viajante de aventuras, Lu Albuquerque, curadora do TASTE, põe a mochila nas costas e embarca direto para a Patagônia Argentina. Lu conta tudo, dá todas as dicas de sua viagem em clima “National Geographic”.

“Estava à toa na vida quando uma amiga me chamou”… pelo face .

“Lu está por aí? Quer fazer uma viagem comigo?”

“Pra onde?” (há 20 anos não a via)

“Patagônia”.

“Quando?”

“Semana que vem, topa?”

E foi assim que tudo começou. Trocamos algumas figurinhas, fizemos as malas, cruzei os dedos e partimos rumo à Argentina. Aterrisamos em Buenos Aires com conexão até Calafate. Buenos Aires merece uma crônica especial já que é minha segunda “nacionalidade” meu segundo lar, minha paixão, depois da minha praia e do Rio de Janeiro, é claro.

El Calafate

Ponto estratégico para quem quer explorar uma das 10, 20 ou 30, maravilhas do mundo. El Calafate, como é chamada, é uma cidade da província de Santa Cruz totalmente preparada para o turismo. Do hotel super charmoso com vista privilegiada para o lago, fizemos todas as reservas para os passeios.

Os passeios

Navegamos pelo Lago Perito Moreno até os gigantescos Glaciares, verdadeiros paredões de gelo com diferentes tons de azul. Fizemos nosso “batismo de gelo” – cada uma pegou uma pedra enorme e num grito de liberdade UhUUUUUU, jogamos no fundo do lago todos os nossos problemas (ou parte deles). Fizemos mini trekking sobre o gelo, que é um passeio para aqueles destemidos que gostam de aventuras semi-radicais, no caso eu, com direito a uma surpresa numa clareira de gelo, que se eu for contar agora vai perder a graça para os que pretendem colocar “os grampones” nos pés montanha acima, quando na verdade a gente mais escorrega do que sobe levando junto os guias que tentam nos ajudar. Vida dura esta de guia, hein?

National Geographic

Mas não parou ai. Fizemos caminhadas pelas Passarelas com vista para as geleiras onde turistas e fotógrafos profissionais tentam registrar o momento exato do desabamento. Nossa sorte foi grande, bem maior ainda para a minha amiga que conseguiu captar este momento e guarda até hoje a foto a sete chaves na esperança de algum dia vender para a National Geographic. Eu, imóvel diante de tanta emoção, força e beleza.

Cordeiro patagônico

Alugamos um carro para percorrer toda a redondeza fotografando, terminando numa belíssima “estância” comendo um típico “Cordero Patagônico”. Detalhe, minha amiga não come carne e só me avisou quando já estávamos sentadas frente ao “brasero” com todo tipo de “hachuras”, ficou só na saladinha… Em compensação, comemoramos com um excelente vinho, também Patagônico. Saúde!

Museu dos Glaciares

De volta à cidade, nos deparamos com uma construção totalmente espacial no alto da montanha. Tive a sensação que aquilo talvez fosse um templo, depois quem sabe seria um quartel do Narcotráfico a céu aberto, ou, por que não, uma fabrica de “cerveza”? Enfim, seja lá o que fosse aquilo não fazia parte do cenário da cidade, do clima e, muito menos, do ambiente local. Voltamos em disparada para o hotel, curiosas por uma explicação. Para nossa surpresa aquilo é o Museu dos Glaciares que a esta altura já deve ter sido inaugurado. Divagamos um pouco, não acham?

Bosque Petrificado

Um tour de ônibus com guia nos levou até este parque com fósseis e troncos petrificados milênios atrás (me senti caminhando na Lua), com parada obrigatória na “Hosteria La Leona”, local onde conta a lenda passaram Butch Cassidy e Billy the Kid (sim eles mesmos, do filme “Butch Cassidy”, 1969, com os lindos Paul Newman e Robert Redford), fugindo da cavalaria militar americana que os perseguiu, acredite, até lá pelos inúmeros assaltos a bancos que a dupla fez nos EUA. Um bar pra lá de simpático com um mini museu conta este fato histórico além de outros como o nome do rio local La Leona, assim batizado por um puma ter atacado o famoso Perito Moreno, enquanto ele fazia a medição daquelas terras longínqua. Sobreviveu, mas deve ter morrido de tanta peritagem porque a tal da Patagonia é enormeeee.

El Chaltén

Este vilarejo de apenas 600 habitantes é a capital nacional do trekking. Considerada a cidade mais jovem da Argentina, El Chaltén foi fundada somente há 25 anos, está lotada de andarilhos, mochileiros de todas as partes do mundo. Uma verdadeira cidade do Far West. Qual seria a atração desta cidade tão minúscula? Andar de lá para cá e daqui para lá? Que coisa sem graça…

Sendero

Que nada, nem bem deixamos as malas o gerente do hotel nos viu com cara de atletas e disse: “Sigam por este Sendero até um mirador, continuem subindo, subindo e se depois de 3 horas estiverem vivas, não desistam – o melhor está por vir”. Conclusão, foram horas de muita caminhada. O último percurso é tão íngreme e em zigue-zague que duvidamos se valia a pena seguir adiante. Estamos pensando em patentear um “Rodo llamas” por lá, ficaremos milionárias. Agora, falando sério, comparando com o Aconcágua esta subida foi mixa (mas isto é uma outra crônica, fica para outra vez).

Adrenalina pura

Exaustas, chegamos à base da “Laguna de los 3”. Uma das emoções mais incríveis que já senti. Adrenalina pura, paisagem paradisíaca. Um lago de um azul turquesa inacreditável, de cair o queixo, ainda com direito a vista panorâmica de 360 graus, incluindo o gigantesco pico Fitz Roy à 3.400 m de altura! Se quiser falar com Deus, já sabe, sem dúvida o lugar é esse.

Cowboys

Voltamos tão emocionadas que até esquecemos nossas pernas destruídas e saímos em disparada para comemorar a façanha num típico bar de cowboys mochileiros. Cavalos confesso que não vi por lá.

Mini trekking nas geleiras

Outro passeio que merece atenção é o mini trekking sobre as geleiras do Lago Viedma, uma mistura de gelo, pedras cor de metal e lago verde esmeralda. Sem contar o passeio de barco pelo Lago del Desierto, fronteira com o Chile que, por engano, naquela emoção de subir o morro mais alto para fotografar, nem percebemos que poderíamos ser presas por estarmos cruzando a fronteira sem apresentar o passaporte. Na volta um almoço no Adventure Camp incluindo passeios de caiaques e bikes. Cruzes, que dia mais exaustivo!

Ushuaia, a terra do fim do mundo

Quando alguém me falava que tinha ido para Ushuaia, eu tremia de frio. Qual o que, nosso clima semi tropical nos acompanhou em quase toda a viagem (25 graus). Claro que naquela pontinha do mapa o vento era constante. Cabeleireiros por lá devem morrer de fome.

Pinguins

O primeiro que fizemos foi pegar um barco até as ilhas para visitar os pinguins. Walt Disney que me perdoe, mas que animais mais ariscos e fedidos… Ficam te olhando atravessado como intrusos em suas terras e, para dizer a verdade, muito mal educados, pois se recusaram a posar para nossas fotos.

Hippie

Mais uma vez alugamos um carro e tentamos chegar até o fim do mundo. Encontramos o “Lago Escondido” e um camping cujo dono era um personagem hippie. Aliás, sempre tem um nas minhas andanças por este mundo a fora.

Museu Marítimo

O museu é turismo obrigatório já que se encontra dentro do famoso presídio totalmente restaurado e serve de cenário para um tour pelas celas onde vão contando quem era quem naquela época. Na primeira cela você até que aguenta o histórico do preso, mas quando começam a contar sobre o degolador, estuprador de criancinhas, masoquista e outras modalidades, o pessoal começa a abandonar a visita guiada indo para a lojinha do museu para comprar roupinhas de presos até para cachorros.

Centolla

Já na cidade, nosso prato oficial era a famosa “Centolla”. Um manjar dos Deuses! No último dia, resolvemos voltar ao restaurante mais charmoso da cidade “Volver”, mas qual não foi a nossa decepção ao encontrar um cartaz que dizia: “Cerrado, fuímos a pescar”. Mas terminamos a noitada num bar maravilhoso, cenário típico de taberna Argentina, para mim o melhor museu da cidade, um mix de antiguidades e quinquilharias, garçons vestidos de milongueros, onde os próprios donos, inclusive a sogra, atendiam a clientela. Volver a vivir…

Sol das 6h às 23h

Detalhe a considerar – nesta época do ano janeiro, verão, amanhece às 6h e escurece às 23h, ou seja, tempo de sobra para fazer tudo aquilo que se tem direito e torto, também. Pegamos um calorzinho de fazer inveja a qualquer esquimó. Desfrutamos jacuzzis e piscinas nos hotéis, além da picardia de ter me jogado no rio gelado enquanto remava no caiaque. Não resisti.

Turismo fechado de maio a agosto

As estações fechadas para turismo no inverno vão do final de maio até início de agosto. Quem pretender ir nesta época talvez fique petrificado como o parque que visitamos ou congelado como o Walt Disney ou quer fazer pesquisas para a humanidade.

Eu realmente não quero nenhuma dessas opções. Tô fora. Quero mais é ser feliz. E minha amiga patagônica contribuiu muito para isso.

Gracias, Inesita!

Bjs

Lu

 

Fotografias: Lu Albuquerque

 

Dicas da viagem de aventura da Lu:

El Calafate

– Hotel Blanca Patagonia

www.blancapatagonia.com

– Empresa Fernandez Campbell (navegação pelos glaciares, Perito Moreno, Upsala, Bahia Onelli, Spegazzini)

www.fernandezcampbell.com

– Mini Trekking Hielo & Aventura

www.hieloyaventura.com

– Estância Nibepo Aike

– Restaurantes: Casimiro Bigua e Casimiro Trattoria Av. Libertador

Bosque Petrificado La Leona

– Parador y Hotel de Campo La Leona

www.hoteldecampolaleona.com.ar

El Chaltén

Hotel Kalenshen

kalenshen@yahoo.com.ar

– Patagônia Aventura (navegação e aventuras, Viedma Ice Trek, escaladas em gelo, lago del Desierto, Cerro Fitz Roy a 3.405 m)

www.patagonia-aventura.com.ar

– Restaurantes: Fuegia e Ruca Mabuida

Ushuaia

– Hosteria Tierra de Leyendas

www.tierradeleyendas.com.ar

– Patagonia Aventura (barco pelo Canal de Beagle)

– Pinguinera

– Lago Escondido e Fagnano

– Trem do Fim do mundo

– Museu Marítimo, antigo presídio

– Bar Ramos Generales (Av. Maipu 749)

www.ramosgeneralesushuaia.com

– Restaurante Volver (Av. Maipu)

– Restaurante Tia Elvira (Av. Maipu 349)

– Resto bar Huar (Av. Perito Moreno 2232)