Picasso e a Modernidade Espanhola

“Com figuras mutifacetadas em cenários que abolem as distinções do dentro/fora, do longe/

perto,do alto/baixo, Pablo Picasso inventa o Cubismo no 1 decênio do Século XX”.

A arte de Picasso tem pouco interesse pelos valores e pelos problemas da visão, não propõe

nem tampouco reflete uma concepção ou interpretação da natureza. Os diversos processos

expressivos que utiliza em cada ocasião – pintura, escultura, cerâmica – não são, portanto, técnicas

diferentes ao serviço de uma mesma visão ou de um mesmo ideal formal, e não há neles

uma raiz ou um ponto de referência comum. Os diversos processos são modos diferentes de

experiência e não técnicas diferentes de uma experiência pré constituída.

A arte de Picasso se interessa exclusivamente pelo homem e por sua condição no mundo. A

pintura e a escultura são para ele duas tradições operativas através das quais foi transmitidas

uma atitude criativa,uma intervenção do ser humano na realidade.

Sua postura sempre foi crítica,buscando sempre discriminar o momento ativo ou criativo trazendo

uma visão intelectualista do mundo. Contudo sua arte não é apenas constatação ou a narração

de uma condição histórica. Ela é sobretudo uma ideia, um valor de beleza,mesmo em suas obras

mais disformes, existe um ritmo perfeito do desenho,o esmalte intacto da cor, a plenitude plástica

do volume.

No desenvolvimento artístico de Picasso duas experiências ideológicas tiveram uma importância

predominante: o Cubismo e o Surrealismo. Essas duas direções ideológicas são,ao mesmo

tempo, contraditórias e complementares. O Cubismo inaugura a crise do sujeito, porque postula

uma objetividade absoluta. O Surrealismo inaugura a crise do objeto,porque postula uma

subjetividade tão plena e profunda,que escapa até o controle da consciência, e exige a eliminação

de toda certeza ou consistência do mundo objetivo.

De todas as definições que foram propostas para Picasso a única que se sustenta e que pode se

aplicar de alguma maneira a todas as posturas que ele assumiu em cinquenta anos de trabalho

é certamente a de “realista”. Toda a obra de Picasso pode ser considerada sob o aspecto de um

constante entre forma e não forma, ou como um esforço para fixar a forma do que não é forma.

Para Picasso, beleza é a totalidade que imprime ao visual na arte. E esse conceito clássico que

sempre debateu dialeticamente, mas nunca excluiu se o combate é contra o convencional, a

beleza não deve ser apenas inesperada e surpreendente, mas diferente ou contrária a todo

cânone ou hábito ou opinião sobre o belo. Então, é belo o que convencionalmente é considerado

feio. Essa inversão de termos de valor sem negar o valor, é justamente o ponto de chegada de

toda a vida polêmica de Picasso: o belo existe, é o feio. E isso só o artista pode realizar.

O Centro Cultural Banco do Brasil traz a mostra – “Picasso e a Modernidade Espanhola” com

parceria da Fundação Mapfre, a exposição reúne 90 obras pertencentes ao acervo do Museo

Nacional Centro de Arte Reina Sofía e estabelece uma relação entre Picasso e alguns dos

maiores artistas modernos espanhóis como Miró, Juan Gris, Julio González e Antoni Tapies, assim

como propõe uma leitura de artistas diretamente associados à ele como o uruguaio Rafael

Barradas e a espanhola Maria Blanchard.

O curador da exposição, Eugenio Carmona, professor de História da Arte da Universidade

de Málaga, selecionou também alguns outros artistas como Alberto Sânchez,Benjamin

Palencia, Francisco Bores, José Guerrero,Maruja Mallo, Pablo Palazuelo.

A exposição é dividida em 8 módulos. Nos módulos dedicados ao trabalho de Picasso, destacam-se

os oito desenhos preparatórios de sua obra-prima “Guernica” (1937); as telas “Cabeça

de Mulher” (1910), “Busto e Paleta” (1932), “Retrato de Dora Maar” (1939) e “O Pintor e a

Modelo”(1963).

A mostra “Picasso e a Modernidade Espanhola”, que passou anteriormente pelo Palazzo

Strozzi, em Florença,teve uma grande repercussão internacional pois destacou e apontou a

verdadeira importância da arte moderna.

Serviço

“Picasso e a Modernidade Espanhola”

Centro Cultural Banco do Brasil

Endereço: Rua Álvares Penteado,112 – Centro – São Paulo

Telefone: (11) 3113 3651 /3652

25 de março a 08 de junho de 2015

4f a 2f das 09H00 às 21H00

ccbbsp@bb.com.br