Rum, a bebida do Caribe

A produção de açúcar na região do Caribe teve inicio no Haiti no século 17 e durante quase duzentos anos serviu para alimentar a Europa com esse produto. Nesse período o rum era apenas um subproduto feito com a destilação do melaço que sobrava no final do processo. Atualmente é produzido em quase todas as ilhas onde o cultivo da cana-de-açúcar é dominante, sendo reconhecidas muito mais pelo rum do que pelo açúcar. Nenhuma outra aguardente tem tanta variedade de estilos como o rum. Destilado a partir de melaço ou da cana-de-açúcar em alambiques de coluna ou pot stills de cobre, pode ser claro, dourado ou escuro, aromatizado e até condimentado. Essa bebida que já foi a favorita dos piratas hoje é globalizada para o agrado de pessoas civilizadas.

O tipo de alambique utilizado tem um profundo efeito no caráter final do produto. Enquanto que os contínuos ou de coluna produzem os mais leves, os de cuba de cobre são responsáveis pelos mais ricos e pesados. Terminada a destilação o rum é incolor, porém envelhecido em barricas de carvalho americano ou canadense ganha cor e aroma. Antes de ser engarrafado é feito o blend, às vezes com os provenientes dos dois tipos de destilação. A correção de cor nos diferentes estilos é obtida pela adição de caramelo.

Embora seja um produto muito utilizado na preparação de coquetéis e na confeitaria, o rum começa a assumir atualmente um posto de maior relevo entre as bebidas de qualidade. É extremamente versátil em seus diferentes estilos, do claro mais puro ao aveludado marrom. A exemplo de outros destilados finos, existem runs na categoria premium de grande qualidade, porém é uma das bebidas mais difíceis de categorizar. Além de proceder de diversos países, cada qual tem suas próprias regras que governam o tipo da matéria prima, fermentação, maceração, envelhecimento e rotulagem.

Por esse motivo é difícil saber exatamente o que existe na garrafa antes de prová-lo, pois runs “três estrelas” de países diferentes, por exemplo, podem não ter o mesmo número de anos de envelhecimento na madeira. Não se deve também contar com a cor do produto para antecipar o gosto. Alguns escuros têm corantes adicionados e podem na realidade ser leves e secos. Embora no passado fossem categorizados por países – claros de Porto Rico, escuros da Jamaica, etc., atualmente todos produzem os mais diversos estilos. Assim, a melhor prova reside mesmo é na degustação.

Independente da cor, tradicionalmente o rum tem corpo médio a cheio, aromas que podem lembrar frutas frescas e secas, mel, às vezes notas de couro, especiarias e sabores complexos de carvalho, baunilha e laranjas maduras, todos evocativos do terroso ambiente caribenho. No final, a sensação é quase sempre longa e quente. Muitos são leves, têm poucos sabores e servem principalmente para a execução de coquetéis, enquanto que os tradicionais, escuros, devem ser tomados sozinhos. Outra adição aos diferentes estilos são os chamados runs aromatizados. Claros, dourados ou escuros e produzidos por infusão com especiarias e frutas, são misturados com sucos de fruta para preparar os ponches, uma das bebidas mais populares do Caribe. Outras das mais conhecidas preparadas com rum são o Mojito, o Daiquiri e para os que ainda lembram, o Cuba Libre.