Teatro Amazonas

No estado do Amazonas, com sua natureza exuberante, ergue-se um Teatro espetacular. Às margens do Rio Negro, o Teatro Amazonas é testemunha incontestável do luxo e da riqueza gerados no período áureo da extração da borracha. No final do século XIX, a cultura do látex, matéria prima valiosa no mercado internacional, fez com que Manaus se tornasse uma das cidades mais prósperas do país.

Manaus, nessa época, cuja moeda corrente era a libra esterlina, vivia no auge de sua riqueza. Com isso, foram realizados grandes empreendimentos, entre eles, o Teatro Amazonas. Na cidade, circulavam jornais impressos em inglês, francês, alemão e árabe. Havia à disposição linhas de navegação com destino aos principais portos do exterior, perfil cosmopolita que prevaleceu no momento em que se cogitou dotar Manaus de um Teatro à altura das sofisticadas aspirações culturais do público da época. Este público seleto exigia um local adequado, com acomodações e recursos técnicos para abrigar artistas e companhias que regularmente transpunham o Atlântico para levar à Manaus os maiores sucessos dos palcos europeus.

O projeto foi de autoria do Gabinete de Engenharia de Lisboa. O Teatro do Amazonas foi inaugurado em 31 de dezembro de 1896, e em 7 de janeiro de 1897 estreou a famosa Companhia Lírica Italiana encenando “La Gioconda”, de Ponchielle.

Para a sua construção, vieram da Alsácia telhas vidradas; de Paris, grades de ferro para camarotes, frisas e balcões, a armação da cúpula e os móveis estilo Luís XV; da Itália, mármores, escadas, pórticos, estátuas, colunas, lustres e espelhos de cristal, vasos de porcelana e candelabros, e os cristais de Murano. O vigamento de aço das paredes foi encomendado da Inglaterra, em Glasgow. As ferragens-escadas, grades, bancos, estatuetas, colunas, mesas e cadeiras vieram da famosa casa parisiense Koch Frères.

A sala de espetáculos tem capacidade para 701 pessoas, dispostas na plateia, que chega ao requinte de lembrar uma lira, e três andares de camarotes. A decoração interna ficou ao encargo de Crispim do Amaral, com exceção do Salão Nobre, que foi entregue ao artista italiano Domenico de Angelis.

No Salão Nobre, com características barrocas e iluminadas por trinta e dois lustres, destaca-se a pintura do teto denominada “A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia”, de 1899, de autoria de Domenico de Angelis. Destacam-se os ornamentos sobre as colunas do pavimento térreo com máscaras em homenagem a dramaturgos e compositores clássicos famosos, tais como Ésquilos, Aristófanes, Molière, Rossini, Mozart, Verdi, entre outros.

Sobre o teto abobodado estão afixadas quatro telas pintadas em Paris pela Casa Carpezot – a mais tradicional da época, nas quais são retratadas alegorias à música, à dança, à tragédia e uma homenagem ao grande compositor brasileiro Carlos Gomes. Do centro, pende um lustre dourado em cristais importados de Veneza.

O piso do Salão Nobre foi montado com doze mil peças da madeira nobre, somente encaixadas. A riqueza de detalhes se faz notar no Pano de Boca, que retrata o encontro das águas dos Rios Negro e Solimões. Os quatro pilares do Salão Principal que, vistos de baixo, representam a base da Torre Eiffel, em Paris.

Com o início do século XX, a produção da borracha no Brasil entrou em crise e o Teatro Amazonas foi fechado em 1924. A partir de então, foi aberto raras vezes. Em 1966, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN). Sofreu reformas em 1929, 1962, 1974, 1985, 1990 e 2001. O Teatro Amazonas voltou à cena cultural em 1997, quando ocorreu a primeira edição do Festival de Ópera de Manaus.

Atualmente, o Teatro mantém a Companhia de Dança, o Coral e a Orquestra Filarmônica do Amazonas. O Amazonas, um dos lugares mais privilegiados do planeta com toda a sua riqueza e beleza estonteante, é palco também de um dos monumentos mais belos da nossa História. alt