Velázquez Grand, Palais Paris

Diego Rodriguez de Silva y Velázquez nasceu em junho de 1599, em Sevilha, Espanha. De

família nobre, porém de poucos recursos, recebeu uma educação humanística, com enfoque na

filosofia e nas artes sacras. Sua inclinação para a pintura logo se revelou. Tornou-se discípulo de Francisco Pacheco.

De temperamento afável, sua obra se inspirava principalmente na vida

cotidiana, exaltando a nacionalidade em uma tipologia pitoresca que retratava cenas de

cozinhas e tavernas espanholas.

O número de documentos pessoais sobre o artista é pequeno; este raramente assinava ou

datava suas obras, e portanto a sua identificação e cronologia tinham que se basear somente

em evidencias estilísticas. A partir de 1613, em Sevilha, executou obras de um realismo sóbrio

(naturezas mortas, cenas de gênero ) com marcada influência de Caravaggio e Ribera. Seus

temas principais nesta época eram principalmente religiosos, sendo desta fase os dois quadros

que dariam toda a medida do futuro mestre: “A Velha Cozinheira” e “O Aguadeiro de

Sevilha”. Nestas obras, a distribuição da luz e sombras, a verdade de seus personagens e a

naturalidade como são mostradas, revelam o seu senso crítico e sua maestria no uso dos

pincéis. A partir de então, ficou claro que Velázquez estava destinado a ser retratista, e o seu

estilo elegante se revelaria até mesmo quando pintava os tipos mais populares.

Em abril de 1622, fez sua primeira viagem a Madri, com o intuito de visitar o famoso

Escorial. Nesta ocasião, pintou o retrato do poeta Luís Gongora e repercussão do quadro lhe

valeu um convite para que pintasse o retrato de Felipe IV, em cuja corte Velázquez viria a

alcançar elevada posição. Apontado como pintor oficial somente a ele caberia a autoria dos

retratos dos membros da família real.

Com a obra “O Triunfo de Baco” também conhecido sob o nome de “Os Ébrios”(16281629)

sintetiza toda a produção anterior do artista e o dá o título de criador de uma escola até então

indefinida, o Naturalismo Espanhol.

A visita que fez com Rubens ao Escorial despertou no artista o desejo de ir à Itália. FelipeIV lhe

concedeu uma licença e em agosto de 1629, Velázquez embarcou para Gênova. Essa viagem

foi, sem dúvida, marcante para a evolução do artista. Como resultado de seus estudos

italianos, particularmente da pintura veneziana, aprimorou a sua forma de tratar o espaço, a

perspectiva, a luz e a cor além de adotar uma técnica mais livre, que marcou o início de uma

nova fase de sua eterna busca da verocidade das imagens.

Ao regressar a Madri em 1631 ele iniciou uma das fases mais produtivas de sua carreira

artística. Foi frequentemente requisitado para pintar temas históricos, religiosos e mitológicos. Foi

nessa fase que atingiu um efeito tridimensional, sem desenhos detalhados ou fortes contrastes

de luz e sombra mas com uma iluminação exterior absolutamente natural.

Em 1649, Velázquez voltou à Itália, desta vez com a missão de adquirir obras de arte para

Felipe IV e lá permaneceu até 1651. Em Roma, retratou o Papa Inocêncio X, um quadro quase

monocromático, seguindo a tradição de retratos papais, criada por Rafael e repetida por Ticiano.

Ao pintar os jardins da Villa Medici, em duas pequenas telas, ele substituiu o severo cromatismo

de obras anteriores por um efeito diáfano,onde não existe o detalhe, o que o tornou o precursor

das modernas paisagens impressionistas, com dois séculos de antecedência. Essa linguagem

inovadora marcará o princípio da terceira fase da pintura de Velázquez, na qual se destacam os

últimos retratos da família real, pintados com contornos imprecisos, diluídos no efeito

atmosférico geral, ou seja, na distancia necessária para reconstruir as formas no seu todo. A esta

fase pertencem “As Fiandeiras” e “Las Meninas”, duas de suas composições mais originais e

suas mais importantes obras primas, que resumem toda a sua realização artística. No

primeiro, Velázquez inovou ao pintar pela primeira vez uma fábrica de tapetes e suas

operárias, objetos no chão, escada e cortina, teto e figuras dão ao espectador a noção exata das

dimensões, enquanto que os gestos típicos da profissão, contribuem para a extraordinária

pulsação de vida que se percebe em seus personagens. Em “Las Meninas”, as personagens são

a Princesa Margarida ocupando o centro, cercada por suas damas de honra e criadas, uma anã

disforme e uma criancinha.Trata-se de uma cena em movimento, e a luz que a reveste vem da

porta ao fundo, onde se encontra um cavalheiro. Os reis aparecem refletidos no

espelho, posando para Velázquez, que simula copiar o casal de soberanos, legando-nos

assim,o último e mais belo de seus autoretratos. Estas obras são, sem dúvida, as mais significantes

contribuições de Velázquez para a pintura moderna.

Embora tivesse vários assistentes, Velázquez deixou poucos discípulos ou seguidores. A

tradição naturalistas na qual foi treinado constituiu-se numa das bases da pintura espanhola do

século XVII, mas as últimas obras de Velázquez superaram as de qualquer artista de seu

século,tornando-o o precursor da pintura moderna. Sua obra, enorme em grandeza e

transcendência, não é copiosa, embora tenha deixado um exemplo de unidade. Seus quadros

irradiam uma leveza insuperável, um impulso secreto que toca a alma do espectador, revelando

a força premonitória de uma arte que entusiasmou todas as gerações futuras e que influenciou

profundamente Francisco de Goya, Edouard Manet e os impressionistas franceses de um modo

geral.

O Grand Palais, em Paris, traz uma exposição deste grande gênio da pintura espanhola e

promove um diálogo de sua obra com numerosas telas de artistas de seu tempo que

conheceu, admirou ou influenciou.Nessa exposição pode-se observar questões como as

variações de estilos e de temas.

Curador: Guillaume Klientz,do Departamento de pinturas do Museu do Louvre,Paris.

Essa exposição foi organizada pelo Grand Palais e o Museu do Louvre,com a colaboração do

Kunsthistorisches Museum,Viena.

Serviço:

Velázquez

Grand Palais,Galeries Nationales

Até 13 de julho de 2015

Endereço: Avenue du Genéral Eisenhower 75008

Domingo e Segunda feira: 10H00 às 20H00;

Quarta feira a Sábado: 10H00 às 22H00:

A exposição participa da noite européia de museus,no dia 16 de maio,sábado,na qual a entrada

é gratuita de 20H00 à Meia Noite