“Vermelho”: Antonio Fagundes e direção de Takla

Antonio Fagundes, redundante dizer, é um gigante em cena. Sua atuação em “Vermelho” (“Red”), sob direção de Jorge Takla, inaugura o Teatro Geo, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, um dos templos da arte no país. É justamente a arte o tema central da peça premiada com seis Tonys em 2010, do americano John Logan, roteirista de peso, indicado para o Oscar de melhor roteiro pela terceira vez com “A Invenção de Hugo Cabret”.

Coincidentemente, a peça coproduzida por Fagundes e Takla aterrissa no Brasil no momento em que as visitações aos nossos museus estão emplacando números jamais vistos aqui, maiores inclusive que os europeus e os americanos, tradicionais detentores do ranking. Leia o que diz The Art Newspaper, especializado em visitação de museus, no final da matéria. É hora de comemorar!

Expressionismo Abstrato

Foi durante uma filmagem, em Londres, ao visitar a mostra de Mark Rothko no Tate Modern, em 2009, que Logan se apaixonou pela obra do artista plástico e sentiu-se compelido a pesquisar sobre o pintor. Nasceu “Red”. É em torno desse grande nome das artes do século 20, judeu russo, imigrante, que vai buscar a sorte na América e se torna o criador de uma ordem plástica emblemática, o Expressionismo Abstrato, que gira a peça muito bem dirigida por Takla. O crescendo dos diálogos – ótimos – é estimulado pela curiosidade e inexperiência do jovem assistente do difícil, egocêntrico, arrogante e genial Rothko. O rapaz é interpretado por Bruno Fagundes, que pouco a pouco entra no personagem. Bruno tem uma tarefa nada fácil durante os 80 minutos em cena, enfrenta três feras: Rothko, Fagundes ator e Fagundes pai. E a plateia? Fichinha diante da trinca de monstros sagrados.

Seagram´s Murals

A peça revive o período de 1958-1959, no qual Rothko criou a série de 15 murais para o restaurante Four Seasons, no Edifício Seagram, na Park Avenue, na época, encomendados por uma quantia recorde. O Seagram´s (375 Park Ave entre 52 e 53), um dos ícones da arquitetura vertical do século 20, foi projetado por ninguém menos que Mies van der Rohe (1886-1969), um dos criadores da Bauhaus.

Mies van der Rohe, Philip Johnson, Pollock, De Kooning, Warhol, Jasper Johns, Lichtenstein…

O assistente do mestre Mies no projeto era Philip Johnson (1905-2005), outro futuro pai da arquitetura moderna. A série de pinturas de Rothko, inicialmente para adornar as paredes do tal restaurante chique, hoje, pertence a três importantes museus. São os aclamados “Seagram´s Murals”, espalhados nos acervos do Tate Modern de Londres, do Kawamura Memorial DIC Museum of Art, no Japão, e do National Gallery of Art, em Washington. É esse o interessante – e culto – pano de fundo em cena que discute Arte Moderna, aborda a História da Arte, debate sobre o artista, fofoca sobre os artistas da época (Pollock, De Kooning, Warhol, Jasper Johns, Lichtenstein…) e discorre sobre a fama, o ato de criar e a vida.

Mark Rothko (1903-1970)

Nascido na Rússia de família judaica, Rothko chegou aos EUA criança. Apesar da condição financeira, sua mente brilhante o levou a cursar a Universidade de Yale. Em 1925, joga o canudo para o alto e parte para a pintura de forma autodidata. Tornou-se um dos principais nomes do Expressionismo Abstrato, ao lado de Jackson Pollock e Willem de Kooning. Preocupado em comunicar emoção através de suas grandes telas, Rothko evoluiu seu estilo para a simplificação cromática absoluta. Hoje seu nome é associado à pintura minimalista. Suicidou-se em 1970, em Nova York, ao receber de volta oito das telas que compunham o genial Seagram´s Mural…

The Art Newspaper: o Brasil no ranking das artes

Interessante notar que este drama que gira em torno das artes plásticas aterrissa no país em um momento excepcional. Conforme pesquisas do The Art Newspaper, especializado em visitação de museus, os dois países com maior público, em 2011, depois dos EUA, surpreendentemente, foram o Brasil e o Japão.

Número 1

Pela primeira vez, um museu carioca, o CCBB, se igualou aos números do MoMA de Nova York na categoria de arte contemporânea. E não só isso, temos mais a comemorar. A mostra no MoMA do paulistano “Carlito Carvalhosa: Sum of Days” foi a quinta em público no mundo, com uma média diária de 5.616 visitantes. Em 2011, a exposição no nicho de arte contemporânea mais visitada no planeta foi “Mariko Mori: Oneness,” no CCBB, em São Paulo. Outra, no mesmo museu, “Laurie Anderson,” abocanhou o número três desse mundial das artes, com 6,934 de público diário. O segundo lugar foi “Monumenta: Anish Kapoor” no Grand Palais, em Paris, com 6,967/dia.

E a mostra que venceu o páreo museológico internacional? “O mundo mágico de Escher” no CCBB Rio com média diária de 9,677 visitantes. Com essa ninguém poderá dizer que brasileiro não frequenta museu, não se interessa por Cultura, não curte Artes Plásticas.

 

“Vermelho”

Estréia: 30 de março, às 21h30

Teatro GEO

Rua Coropés, 88

Tel: 11 3728 4930

São Paulo

Horários: quinta e sábado, às 21h; Sexta, às 21h30 e Domingos, às 18h

Preços: Platéia R$ 120,00 e Balcão R$ 100,00

Duração: 80 minutos

Compra de ingresso: www.showcard.com.br

www.institutotomieohtake.org.br

The Art Newspaper, site que traz a visitação nos principais museus:

www.theartnewspaper.com